Dom Guanella amava particularmente, entre os hóspedes de suas casas, aqueles pacíficos biscoitos a quem chamava de "bons filhos" e lhes dedicava uma atenção especial. Na verdade, quando tinha algum tempo, ia procurá-los: conversava com eles, brincava e jogava cartas. Antes de encontrá-los, porém, ele se certificou de ter no bolso um bom estoque de balas, doces, biscoitos e alguns charutos.
Freqüentemente parava para comprar esse suprimento em uma tabacaria na via Dante, em Como, que o conhecia e sabia a quem se destinava tudo aquilo.
Aconteceu uma vez que a tabacaria contratou um ajudante, um jovem de fora que viu Dom Guanella aparecer pela primeira vez diante dele com uma ordem imponente. Esse grandalhão, com ar sonhador e absorto, olhos semicerrados e boa voz, ordenava-lhe com a maior naturalidade: meia dúzia de charutos toscanos, cinco charutos Virgínia, os de canudo dentro, três maços de e cinco de carne moída, um par de quilos de balas, meio quilo de balas de menta, biscoitos...
A mercadoria se amontoava sobre o balcão e dom Guanella não percebeu o espanto do tabacaria que o olhava com uma espécie de aversão; pelo contrário, calculando o que precisava e calculando o que ia para um e o que ia para o outro, ele assumia cada vez mais o ar do caçador de prazeres que não queria esquecer nada, prometendo a si mesmo passar uma noite como deve ser.
Finalmente, o jovem atrás do balcão não se conteve e disse:
- Que lareira e que gargarozzo!
Dom Guanella despertou e, enquanto pagava a nota de nove liras, percebeu o mal-entendido que havia causado involuntariamente e quis tirar aquele menino de suas dúvidas. Quase se desculpando e com algum constrangimento, que o outro interpretou novamente mal, ele disse:
— Não são para mim, são para meus bons filhos!
Ao dizer isso, deixou o coitado atordoado sem saber se estava sonhando ou se estava acordado. Diz-se que o assunto foi explicado a ele mais tarde, mas naquela noite ele estava um pouco confuso.